Uma Carta de Nosso CEO

Vivemos uma Mudança de Era.

Tecnologias que até pouco tempo pareciam distantes já transformam a forma como trabalhamos, decidimos, aprendemos e criamos valor. A inteligência artificial redefine possibilidades. Novos modelos de negócio surgem em velocidade extraordinária. Fronteiras entre funções, setores e mercados se tornam cada vez menos claras.

Mas acredito que a principal transformação que temos diante de nós não é tecnológica. É humana.

Uma nova era requer um novo pensamento, novas abordagens e novas ferramentas. Não podemos enfrentar desafios inéditos apenas aperfeiçoando as respostas que funcionaram no passado. Muitas vezes, o que nos trouxe até aqui não será suficiente para nos levar adiante.

Isso exige coragem para rever não apenas processos e estruturas, mas também os paradigmas a partir dos quais enxergamos as pessoas, a liderança e o desempenho.

Toda organização opera, consciente ou inconscientemente, a partir de uma espécie de software cultural: um conjunto de crenças acumuladas ao longo do tempo sobre como liderar, como tomar decisões, como exercer autoridade, como colaborar, como aprender e como alcançar resultados.

Parte desse software foi construída para um mundo diferente do atual.

Um mundo em que informação era escassa, decisões podiam ser mais centralizadas, mudanças aconteciam em ciclos mais longos e a previsibilidade era maior.

Quando esses paradigmas permanecem invisíveis, eles se transformam em limitações. Podemos instalar novas tecnologias sobre estruturas antigas, adotar novas metodologias mantendo velhos comportamentos e exigir inovação enquanto continuamos recompensando conformidade. Mudamos as ferramentas, mas preservamos o sistema operacional.

E então nos perguntamos por que a transformação não acontece na velocidade esperada.

O que Realmente me Mobiliza.

Na FranklinCovey, acreditamos que resultados extraordinários começam quando mudamos a maneira como vemos o mundo. Porque a forma como vemos determina o que fazemos. E aquilo que fazemos, repetidamente, determina os resultados que alcançamos.

É por isso que, mesmo diante de mudanças tão profundas, minha confiança continua depositada em princípios que duram.

Tecnologias mudam. Estratégias mudam. Modelos de negócio mudam. Ferramentas mudam.

Princípios como confiança, responsabilidade, integridade, propósito, colaboração, respeito, contribuição e foco no que realmente importa permanecem.

Eles não pertencem a uma geração ou a uma metodologia de gestão. São fundamentos da eficácia humana.

E talvez sejam ainda mais relevantes agora.

Quanto maior a velocidade da tecnologia, maior será a necessidade de julgamento humano. Quanto maior a capacidade de automatizar, maior será a importância da confiança. Quanto maior o volume de informação disponível, mais necessária será a clareza sobre o que realmente importa. E quanto mais sofisticadas forem nossas ferramentas, mais decisiva será nossa capacidade de trabalhar juntos para transformar possibilidades em resultados.

Também acredito que desempenho sustentado não nasce de iniciativas isoladas.

Ele é consequência de sistemas alinhados.

Estratégia, liderança, cultura, capacidades, tecnologia, processos e execução precisam reforçar uns aos outros. Uma organização não se transforma de maneira sustentável quando cada parte evolui em uma direção diferente.

É preciso criar um sistema no qual aquilo que a organização declara como prioridade seja coerente com aquilo que seus líderes modelam, com aquilo que suas pessoas praticam e com aquilo que seus processos incentivam e medem.

Quando sistemas alinhados encontram princípios duradouros e novos paradigmas, algo poderoso acontece: as pessoas deixam de simplesmente reagir às mudanças e começam a criar o futuro.

Esse é o desafio que mais me mobiliza.

Não preparar pessoas apenas para a próxima ferramenta, mas ajudá-las a desenvolver capacidades que continuarão relevantes diante das próximas dez.

Não ajudar organizações apenas a executar melhor dentro das regras atuais, mas também a questionar as regras que já não fazem sentido.

Não promover mudanças superficiais de comportamento, mas transformar os paradigmas que sustentam esses comportamentos.

Porque o futuro não será construído apenas por organizações que possuem as melhores tecnologias.

Será construído por organizações capazes de combinar o melhor da tecnologia com o melhor da capacidade humana.

Organizações que aprendem mais rápido. Que constroem confiança mais rápido. Que transformam estratégia em melhor desempenho. Que liberam o potencial das pessoas em vez de limitá-lo. E que conseguem evoluir sem perder aquilo que não deveria mudar.

Uma Nova Era está Diante de Nós.

Nossa responsabilidade como líderes não é simplesmente acompanhar essa mudança. É ajudar a criar as condições para que pessoas e organizações sejam capazes de liderá-la.

Com novos pensamentos. Novas abordagens. Novas ferramentas.

E princípios que continuam verdadeiros.

Bill Moraes
CEO, FranklinCovey Brasil

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