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A “Tempestade Cerebral”

Por Paulo Kretly

A reflexão sobre os valores é o ponto de partida para resgatar a criatividade. Mas o trabalho não termina aí. Na verdade, está apenas começando. A maneira como estamos acostumados a pensar também pode ser um entrave à criatividade. O pensamento ocidental começou a ser moldado há milhares de anos, tendo como uma de suas principais fontes de influência o filósofo grego Aristóteles. Sua base é a lógica científica, binária e linear. 

É claro que esse método tem suas vantagens, porém, quando é usado de forma esquematizada e automática, tornando-se “a única maneira” de encararmos problemas e buscarmos soluções, a criatividade acaba sendo limitada, ou mesmo excluída do processo, pois podemos ser levados a ver o problema de uma única maneira e a nos concentrarmos em uma única solução – a que parece ser mais “lógica”, a que já foi “testada e aprovada” no passado, a que faz “mais sentido” a nossos habituais padrões mentais. De maneira geral, isso é chamado pensamento convergente: tudo converge para uma única alternativa. 

Nas últimas décadas, pensadores que se dedicaram a estudar o processo criativo têm proposto diversos métodos para que se possa enxergar além da lógica padrão e de suas limitações e encontrar respostas criativas. É o caso por exemplo, do pensamento divergente, que é o oposto do convergente: em vez de concentrar em uma alternativa aparentemente óbvia, uma vasta gama de alternativas diferentes – inclusive algumas supostamente absurdas – são trazidas à tona. Logo, percebeu-se que o ideal é não se apegar a uma forma de pensamento em detrimento de outra, mas sim, combinar as duas. Ou seja, usar o pensamento divergente para levantar o maior número possível de possibilidades e o convergente para analisar, descartar, combinar e selecionar essas possibilidades, até chegar à melhor alternativa. 

Foi mais ou menos isso que o publicitário norte-americano Alex Osborne concluiu quando, em 1941, cunhou o termo brainstorming. Juntamente com o psicólogo  Sidney Parnes, Osborne investigava o modo como funcionava a criatividade humana. Para estimular as pessoas a fugirem das respostas convencionais, eles passaram a realizar reuniões nas quais os participantes eram incentivados a expressar livremente suas ideias e soluções. Nenhuma ideia deveria ser criticada, pois as críticas só serviriam para inibir seu autor, fazendo-o retornar automaticamente às fórmulas convencionais. Todos poderiam expor o que lhes passasse pela cabeça, por mais absurdo que pudesse parecer. Assim, liberta da camisa-de-força das convenções e da lógica habitual, a criatividade poderia emergir. 

Porém, o brainstorming é apenas um elemento do processo desenvolvido por Osborne e Parnes. Seu uso isolado e sem mais critérios acaba fazendo com que muita gente associe o brainstorming “àquelas reuniões malucas e intermináveis, nas quais as pessoas acabam contando a história de um filme a que assistiram ou discutindo futebol”. No entanto, se for usado conforme concebido pelos autores, o brainstorming pode se transformar em uma ferramenta eficaz na busca de soluções criativas. Para tanto, é preciso, primeiro, identificar o objetivo a ser atingido. Depois, coletam-se informações sucintas sobre os desafios que envolvem esse objetivo. A próxima etapa consiste em examinar as várias partes que compõem o problema, a fim de isolar a parte principal. Quando tudo isso tiver sido feito, é hora de realizar o brainstorming com o intuito de gerar tantas ideias concernentes ao problema quantas forem possíveis. 

Após o brainstorming, são desenvolvidos critérios para avaliar as soluções surgidas e escolher a que for mais apropriada – que pode ser até mesmo uma combinação de várias soluções apresentadas. Por fim, a última etapa consiste em criar um plano de ação para implementar a solução escolhida. Como se pode perceber, o verdadeiro brainstorming é muito mais do que mera reunião em que qualquer um fala qualquer coisa. 

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