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A palavra de ordem é: Disciplina

Por Paulo Kretly


No mundo corporativo a pressão para se fazer cada vez mais em menos tempo consome os profissionais constantemente. Eles ficam atordoados com o acúmulo de trabalho e se frustram quando não alcançam os resultados esperados. A consequência dessa árdua jornada não é nada animadora. No lugar de ascensão na carreira e melhor qualidade de vida, esse profissional está fadado a perder a saúde, a ter problemas familiares, e até mesmo à falta de eficácia. 


Não é fácil driblar essa situação. Todos almejam o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, mas não param sequer um instante para planejar e organizar suas prioridades, sejam elas profissionais ou pessoais. Uma frase de Benjamin Franklin nos traz uma ponderação muito interessante: “Falhar ao se preparar é preparar-se para falhar”.


Quem no seu ambiente de trabalho já não teve a sensação de viver apagando incêndios? E isso acontece por uma falha pessoal e de liderança, pois deixaram de priorizar o que é mais importante para a organização. Pesquisas confirmam que, ao dedicar 10 minutos diários no estabelecimento de prioridades, é possível economizar mais do que uma hora, por dia.


Durante palestras e treinamentos que realizo costumo perguntar aos participantes o que fariam se tivessem uma hora a mais no dia, e a maioria das respostas está ligada a realizações pessoais, como convívio com a família e momentos de lazer. Ninguém diz que ficaria uma hora a mais na empresa. O motivo desses desejos é que as pessoas anseiam por atividades que lhe proporcionem prazer, e tudo isso é possível se houver um bom planejamento.


Infelizmente palavras como prioridade, planejamento e organização ainda são vistas de forma genérica, e não são absorvidas de maneira executável no dia a dia das pessoas. Assim, quando alguém, seja de seu convívio profissional ou pessoal, diz que “você precisa escolher suas prioridades”, ou “planejar melhor”, ou ainda “organizar-se mais”, muitas vezes ficamos com a sensação de que há algo importante a ser feito, embora não saibamos exatamente o que, nem como. Nesses momentos, com frequência, cedemos à tentação de transferir a responsabilidade.


Há uma frase que de que gosto muito: “Se você não conduzir a sua vida, alguém o fará por você”. Seja o seu cônjuge, o seu chefe ou o seu subordinado. O segredo é aprender a conduzir a sua vida. E como se faz isso? Começando através de uma lista de prioridades. Segundo uma pesquisa da FranklinCovey, apenas 17% dos trabalhadores começam o dia com uma lista desse tipo. 


Dedicar alguns minutos do dia para estabelecer as principais atribuições em seus diferentes papéis, tem de ser um hábito diário. Quando me refiro a papéis, não são apenas ao de gerente, diretor ou de um colaborador de uma organização. Também me refiro ao de pai, mãe, cônjuge, irmão e filho. Temos vários papéis em nossa vida, e o equilíbrio entre eles é que vai fazer com que se alcance a satisfação pessoal e profissional. 


A partir do momento que você começa a planejar melhor e focar o tempo, acaba por produzir mais para a organização e tem a liberdade de sair no horário estabelecido. Apenas 45% dos funcionários estão focados no core business da organização, ou seja, nas prioridades de sua empresa.


Alguns fatores são responsáveis por essa dispersão durante o horário de trabalho. Quem nunca foi interrompido para um bate-papo durante a execução de uma tarefa? Ou procurou por horas um contato de um cliente ou fornecedor que não lembra onde anotou? 


São desperdiçadores de tempo que fazem uma grande diferença ao final do dia. A ampla oferta de meios de comunicação é algo que muito se discute. Até que ponto essa oferta é uma ferramenta de trabalho ou uma inimiga? Se no seu trabalho o acesso a redes sociais ou outros recursos é liberado, é preciso saber escolher qual se adapta melhor às suas necessidades e da empresa. 


Além de consultor, também sou executivo de uma empresa, e sei que planejamentos perfeitos não existem, pois estamos sujeitos a imprevistos, fatos inesperados, contratempos, e não há planejamento no mundo que consiga prever todas essas variáveis. Então, por que nos organizamos? Porque é a melhor forma de lidarmos com essas variáveis. Haverá mais condições de lidar com o que não consegue controlar se já tiver seu planejamento sob controle. 


Renato Russo, em sua música Há tempos, já dizia que “disciplina é liberdade”. Reitero esse conceito, pois com disciplina será possível ter liberdade para fazer as coisas que mais importam. 

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