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As Pessoas Não São Coisas

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Por Stephen Covey

Em seu famoso livro Eu e tu, o grande filósofo Martin Buber ensinou que muitas vezes nos relacionamentos uns com os outros como se fossemos objetos, e não pessoas. Um objeto é um Isso, mas uma pessoa é um Tu. Se eu tratar uma pessoa como um Isso, como um objeto a ser usado para meus próprios fins, também me tornarei um Isso, não uma pessoa viva, mas uma máquina. A relação entre “Eu e Isso” não é igual à relação entre “Eu e Tu”. “A humanidade, reduzida a um Isso, tal como se pode imaginar, nada tem em comum com a humanidade viva”, afirma Buber. “Se um homem deixar que ela o domine, o mundo continuamente crescente do Isso o derrotará e lhe roubará a realidade de seu próprio Eu. ”

Ao reduzir as outras pessoas à condição de coisas pensamos que podemos melhor controlá-las. É por isso que as empresas se referem a seus empregados com o irônico termo “recursos humanos”, como se eles fossem apenas mais uma obrigação na folha de pagamento, como impostos ou contas a pagar. É por isso que muitas pessoas, na maioria das organizações são vistas apenas em termos de sua função, mesmo que possuam muito mais criatividade, desenvoltura, engenhosidade, inteligência e talento do que seus trabalhos exigem ou, até mesmo, permitem! Os custos de oportunidade de se considerar as pessoas apenas como coisas são muito altos. Nenhuma folha de pagamento mostra o surpreendente tamanho do potencial que permanece escondido e guardado nas pessoas e em suas capacidades.

Por outro lado, Buber diz: “Se eu deparar com um ser humano como um Tu, ele não será uma coisa entre coisas. ”

Buber usa o termo “Tu” porque ele indica mais do que apenas um respeito superficial, mas também evoca reverência. Conseguir entender o outro – sem a necessidade urgente de controlá-lo ou manipulá-lo – é entrar em um território sagrado, e é algo profundamente enriquecedor. Carl Rogers descreve com eloquência o que essa experiência significa para ele:

Um dos sentimentos mais gratificantes que conheço provém de poder apreciar uma pessoa da mesma maneira que aprecio um pôr do sol. As pessoas são tão belas quanto um pôr do sol quando as deixamos ser.

De fato, talvez a razão pela qual possamos apreciar um pôr do sol é que não podemos controlá-lo. Quando olho para um pôr do sol, como fiz outro dia, não me ponho a dizer: “Diminua um pouco o tom de laranja no canto direito, ponha um pouco mais de roxo na base e use um pouco mais de rosa naquela nuvem. “Não faço isso. Não tento controlar um pôr do sol. Olho com admiração sua evolução. ”

Perder esse sentido de reverência na presença de outro ser humano pode ser uma das maiores tragédias humanas.

Em 1964 o lutador pela liberdade Nelson Mandela começou a cumprir uma pena de 27 anos na desoladora prisão Robben Island, na África do Sul. Como jovem advogado, ele se rebelou contra o sistema do apartheid, que oprimia negros africanos como ele. “Milhares de desrespeitos, milhares de indignidades e milhares de momentos esquecidos produziram em mim uma raiva, uma rebeldia, um desejo de lutar contra o sistema que aprisionava o meu povo”, explica ele. Na prisão, ele experimentou mais do mesmo e, de início, se tornou ainda mais amargo.

Mas, gradualmente, o coração de Mandela mudou. Anos após sua liberdade da prisão, encontrei-me com ele. Perguntei-lhe: Quanto tempo demorou para superar sua amargura em relação aos guardas, aqueles que o torturavam e o tratavam com tanta indignidade? ” Ele respondeu: Cerca de quatro anos. ” Perguntei-lhe qual o motivo da mudança, e ele disse: “Eles falavam sobre suas relações uns com os outros, sobre suas famílias, e acabei percebendo que eles também eram vítimas do sistema de apartheid. ”

Mandela escreveu: “Foi durante aqueles longos e solitários anos que a fome pela liberdade do meu povo se tornou uma fonte pela liberdade de todas as pessoas, brancos e negros. Eu estava convencido de que o opressor devia ser libertado tanto quanto o oprimido. Os oprimidos e o opressor estão igualmente desprovidos de sua humanidade. ” Por esse tipo de percepção, seu povo diria que Mandela tem Ubuntu (humanidade para os outros).

Quando adoto o paradigma “Eu vejo você”, o meu respeito por você é autêntico, não forçado. Vejo você, o seu lado do conflito. Sei que sua história é rica, complexa e repleta de ideias inspiradoras. No paradigma “Eu vejo você”, você e eu, juntos, somos excepcionalmente poderosos, pois as suas forças e as minhas se complementam. Não há combinação como a nossa em nenhum outro lugar. Podemos caminhar em direção a uma Terceira Alternativa juntos. Isso não é possível se operarmos sob o paradigma da estereotipagem.

No paradigma “Eu vejo você” eu tenho Ubuntu; tenho um amplo círculo de empatia. Se eu realmente vir você, estarei predisposto a entendê-lo, sentir o que você sente e, assim, minimizar os conflitos e maximizar a sinergia com você. Em contrapartida, se você ficar fora do meu círculo de empatia, não poderei sentir o que você sente ou ver o que você vê, nem você nem eu seremos tão fortes, perspicazes ou inovadores como poderíamos ser juntos.

Incentivo-o a levar a sério esse paradigma em sua vida pessoal. Pense em uma ou duas pessoas – um colega, um amigo, um familiar – que precisam ser vistas. Você sabe o que quero dizer com isso. Será que eles têm razão de achar que você os desvaloriza, os ignora, ou demonstra um falso respeito por eles? Você fala deles pelas costas? Você os vê como símbolos, ou os vê como pessoas reais, cheias de forças e fraquezas, idiossincrasias e inconsistências, talentos incríveis e fantásticos pontos cegos – exatamente como você?

 

Fonte: Livro A 3° Alternativa | Resolvendo os problemas mais difíceis da vida

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